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A crise dos sentimentos confusos



Num momento ainda da minha vida em que eu estudava e era mais nova, lá pros meus dezessete anos, eu conheci um menino muito gente boa. Nos tornamos bons amigos com o passar do tempo e depois percebi que eu estava gostando dele naquele sentido mais do que um amigo. Vamos chamá-lo de Jorge. Eu não sei se era por eu estar na fase de adolescente de sonhar em ter um crush, mas esse Jorge me marcou bastante. Ele foi o primeiro que eu me apaixonei. Ele era um malandro, sabe? Mesmo prestando ainda assim ele não prestava. Não prestava pra o que eu queria, que era um namoro, que era algo sério. Ele foi sempre de muitos rolos. Eu estava ciente disso, até por que ele falava de alguns relacionamentos comigo e acho que até me pedia conselhos. Já não lembro tão bem, mas era terrível ouvir a pessoa que você gostava falar das pessoas que ele gostava. Eu tentava sair dessa friendzone, mas não tinha jeito. Ah, ele também era mais velho que eu. Acho que mais ou menos uns três anos. E aí que o tempo foi passando e ele me passou umas ideias confusas. Eu ficava feito aqueles filmes com momentos em que ele parecia gostar de mim do mesmo jeito e depois me tratava como se quase não nos conhecêssemos. Imaginem. Um drama só. Daria um filme de clichê adolescente da Netflix tipo A Barraca do Beijo.

Eu era tímida demais. Não tinha a coragem necessária pra me declarar. Sentia que seria ridículo eu tentar iniciar uma conversa dessas. Pensava que se fosse pra acontecer, já teria de ter acontecido e, se não aconteceu, era por que não era pra ser. E isso ficava me corroendo. Eu morria de vontade de tentar puxar uma conversa pra saber do que se tratavam aqueles sinais. Aqueles beijos no pescoço que eram pura covardia, aqueles abraços, aquela troca de olhares, aquela fugida pra um lugar mais reservado que eu jurei que ele ia me dar um beijo... Ah, pense numa novela. Eu confidenciava tudo com as minhas amigas e elas também tinham seus próprios Jorges de nomes diferentes. Uma era mais destemida, encarava, se declarava e resolvia seus relacionamentos. A outra era o meio-termo entre mim, a parada, e a acelerada. Mas ainda assim ela também resolvia seus relacionamentos com a ajuda dos crushs. Eu era a única que não saia do lugar. Triste. Sabia o que tinha que fazer mas não fazia. E ficava nessa de sentir tanto e não dizer nada. Apenas ouvir calada. Era sufocante silenciar todos esses sentimentos.

Minhas amigas também percebiam que havia algo mais e nos shippavam. Aturavam meu falatório sem parar. Que saudade dessa época! Que saudade delas! Elas são nota dez. Seguimos rumos diferentes em nossas vidas, não nos vemos mais com a mesma frequência de antes mas meu carinho é imenso. Queridas demais por mim, tenham certeza.

Mas continuando, em meio a essa confusão apareceu mais um Jorge na novela com o mesmo nome do meu queridíssimo. Ele também era muito bacana. Jogava dominó comigo no intervalo e implicava sempre que possivel. Eu adorava, não vou negar. Esse outro Jorge conseguia roubar um pouquinho da minha atenção.

Quero me precipitar em dizer que esse conto não tem final feliz. O Jorge primeiro terminou o curso mais cedo que eu, pois ele era de outra turma. Paramos de nos ver depois que ele saiu e eu fiquei arrasada com saudade do que tínhamos diariamente e com o peso dos sentimentos não declarados no ombro como lembretes. Eu e o Jorge continuamos amigos distantes, mas nada aconteceu e nunca vai acontecer. Falamos de vez em quando pra saber como estão as coisas, mas não é o mesmo papo profundo de antes. O momento já não é mais o certo. Eu mudei, ele mudou e cada um seguiu sua vida.

E depois dele apareceu o Pedro, o Rafael, o Hugo, tantos outros... Os sentimentos por ele, estes foram sendo guardados em um armário, enfiados lá no fundo da gaveta num lugar que não costumo acessar e esqueci o que havia ali. O que resta é o arrependimento mesmo de não ter dado uma chance ao que poderia ter sido se eu tivesse a devida coragem. E é essa a lição que eu queria passar. É melhor fazer e se arrepender do que não fazer e ficar se perguntando como seria se tivesse feito. Esse "e se" é um tremendo vilão e, quando tu menos esperar, ele pode acabar com tua noite de sono.

Conheça minhas outras crises clicando aqui.

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