Pular para o conteúdo principal

Eu era feminista, mas não sabia



Desde pequena eu ficava revoltada com algumas situações na minha vida. Eu não entendia por que tinha que ser daquele jeito que me foi ensinado, eu não achava certo esse tratamento diferente das pessoas de sexo oposto e eu também costumava bater o pé, revoltada, achando tudo extremamente injusto. Fui percebendo pelos detalhes que eu era feminista, mesmo sem nunca ter ouvido falar sobre esse movimento.

Começou na cozinha, quando meu pai não lavava os pratos ou não se levantava da mesa pra pegar uma colher. Infelizmente ainda acreditava-se que "Lugar de mulher é na cozinha" e eu ficava revoltada perguntando à minha mãe se "A mão do meu pai vai cair se ele lavar a louça?", "Por que ele não se levanta e vai buscar o que quer ao invés de ficar pedindo pra mim e pra você, mainha?" ou "Por que só eu e você arrumamos a cama e a casa? Por que ele não participa também?". Esses questionamentos começaram quando eu estava entrando na fase de adolescente e ficava me perguntando por que meu pai não cuidava da sua própria casa como eu e minha mãe costumamos fazer.

Conforme fui crescendo e ficando mais velha eu percebi mais algumas injustiças, sendo julgamentos sobre como eu me comportava, como eu me vestia ou das pessoas que eu me relacionava. "Você é uma mocinha e mocinhas não podem falar palavrão!" quando estava conversando eu sempre ouvia algum comentário negativo desse tipo entre meu grupo de amigos que na sua maioria eram homens. Todos eles falavam palavrão e ninguém dava esse sermão. "Uma mulher usando uma roupa curta dessa não se dá o devido respeito!" e outras frases com esse mesmo sentido me faziam sentir vergonha de usar determinada roupa e a questionar a roupa que eu quisesse usar, mesmo que eu gostasse dela e me sentisse bem. Mas a opinião que importava eram a do que os outros iriam achar e nunca o que eu achava, mesmo que estivéssemos falando sobre o meu próprio corpo. No início eu aceitava essas coisas pra evitar receber olhares de reprovação dos meus pais ou dos meus amigos.

Mas então coisas como essas foram me irritando com o tempo. Eu não entendia e não queria aceitar mais só pra agradar as pessoas ao meu redor. Eu recebia reclamação da minha mãe se eu não sentasse de pernas cruzadas com ela dizendo "Senta direito, menina!" e, com comentários assim, eu comecei a comparar se isso aconteceriam também com rapazes, sendo que eles geralmente se esparramam nos assentos do ônibus muitas vezes me fazendo ficar toda espremida do seu lado. Depois de um tempo, chegou a época de uma divulgação maior sobre feminismo e foi aí que eu conheci esse termo. A mídia colocava informações para chocar a pessoa de cara e não querer se tornar uma feminista também. Meu primeiro contato com o movimento foi através de uma publicação de algum jornal falando sobre como feministas não deveriam se depilar ou que se achavam melhores que homem. Informações falsas que eu pesquisei profundamente, li outros artigos, ouvi feministas falando sobre esse movimento e me senti inclusa. Observando meu passado e as coisas que eu passei de repente tudo fazia sentido e eu era feminista sim, com toda certeza.

Mas o que é ser feminista?

Feminista é uma pessoa que acredita na igualdade social, política e econômica entre os sexos. Feministas não querem ser melhor do que os homens, nós queremos igualdade. Nós queremos ter a opção de se depilar ou não, assim como os homens, e não ser julgada por sua escolha. De ter o cabelo curto ou longo e continuar sendo uma mulher, sem julgamentos de pessoas insinuando de ser um corte de cabelo masculino. De não ser interrompida numa conversa por um homem enquanto não concluímos nosso pensamento. É sobre respeitar, ser ouvida e principalmente sobre não aceitar o machismo e combatê-lo.

Você sabe identificar os tipos de machismo?

Ouvir explicações óbvias ou “mansplaining”
O termo em inglês vem da junção entre “man” (homem) e “explaining” (explicar). Acontece quando um colega de trabalho tenta esclarecer coisas óbvias ou te ensinar um assunto que você é especialista com o objetivo de te tratar com inferioridade. Li muitos casos como o de um neurocientista que interrompeu a palestra da Dra. Tasha Stanton para explicar sobre o que ela estava falando e ainda recomendou um livro que a própria palestrante tinha escrito. Essa vergonha ele passou no débito ou no crédito?

Ser interrompida durante a fala ou “manterrupting”
O termo em inglês vem da junção entre “man” (homem) e “interrupting” (interromper). Acontece quando um colegas de trabalho interrompem constantemente sua fala não permitindo que você conclua seu pensamento demonstrando que sua opinião não importa por que você é uma mulher. Existem diversas publicações na internet que comprovam essa prática machista. Ela é frequente em entrevistas de mulheres que estão em ambientes que há mais homens como política e jornalismo. Um caso famoso desses foi quando Taylor Swift foi receber seu prêmio do VMA (MTV Video Music Awards) e foi interrompida pelo rapper Kanye West que invadiu o palco e roubou o microfone da sua mão para dizer que Beyoncé deveria ter ganho o prêmio. Total falta de respeito.

Ter ideias roubadas ou “bropriating”
O termo em inglês vem da junção entre “brother” (irmão) e “appropriating” (apropriação). Acontece de forma comum num ambiente de trabalho quando um homem se apropria de uma ideia de uma colega que já teria sido apresentada, mas que não deram importância. Como é agora um homem falando a mesma coisa o mesmo recebe elogios, é valorizado e prestigiado pelos colegas de trabalho. Eu já passei por isso em meu próprio trabalho quando fui sugerir pro meu chefe a incrementação de uma ferramenta para a melhoria nos desempenhos dos serviços e o mesmo não gostou da ideia. Pouco tempo depois um colega de trabalho dele (um homem) disse a mesma coisa e ele adorou a ideia, implantou a ferramenta no nosso setor e todo o crédito ficou para o colega de trabalho dele.

Se espalhar em transporte público ou “manspreading”
O termo em inglês vem da junção entre “man” (homem) e “spreading” (espalhar). Acontece em transportes públicos quando o homem se espalha no seu assento deixando as pernas abertas, fazendo com que você fique toda espremida do seu lado desconfortável. Desde muito tempo as mulheres são ensinadas a serem pequenas, magras, frágeis e os homens o oposto. Então era considerado normal ficarmos espremidas e desconfortáveis enquanto os homens tomavam todo o espaço ao nosso lado, mas aleluia que evoluímos, entendemos que é errado e estamos lutando para não sermos mais oprimidas.

Ser abusada emocionalmente ou “gas-lighting”
O termo em inglês faz referência a uma peça teatral de 1938. Acontece quando alguém tenta te abusar e manipular distorcendo informações e criando situações que fazem a própria vítima duvidar da sua sanidade. Hoje em dia é muito utilizado quando pessoas perguntam à mulheres se estão de TPM quando não reagem da maneira esperada pelo agressor. Nos chamam de loucas e escandalosas. Tentam nos diminuir e fazer com que percamos nossa autonomia e autoridade durante uma discussão ou conversa.

Julgar comportamentos de mulheres cujas atitudes fujam do padrão ou “slut-shaming”
O termo em inglês vem da junção entre “slut” (vagabunda) e “shaming” (envergonhar). Acontece quando uma mulher tem atitudes fora do padrão, usam roupas curtas, falam palavrões e gírias, se envolvem com muitos homens tendo vida sexual ativa. As mulheres que não se enquadram na figura de uma mulher delicada, frágil e dona de casa (famoso "bela, recada e do lar") são julgadas por homens com xingamentos como "puta" e "vagabunda".

Tem vários outros termos, mas espero ter ajudado você a entender melhor essa causa. Feminismo é sobre sermos quem quisermos ser, trabalharmos na área que gostamos sem esses rótulos de que "Engenharia é só para homens", usarmos a roupa que quisermos vestir e recebermos a mesma quantia do salário que o colega homem recebe desempenhando as mesmas funções. Convido você, caro leitor ou leitora, a aprender mais sobre esse assunto e participar da causa. Quero lembrar que um homem pode ser feminista também. Juntos faremos um mundo melhor e justo para as futuras gerações.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A nova tendência do cabelo descolorido e suas variações

Eu tô chocada que eu tô criando muita publicação no blog sobre Moda & Beleza que não é da minha essência. Quer dizer, eu acho lindo e adoro acompanhar, mas quase nunca crio coragem pra meter a cara e tentar fazer alguma dessas coisas que eu idolatro. Será que eu vou mudar isso futuramente? É uma mudança bem radical a gente descolorir o cabelo e, por exemplo, mudar algo que era preto para loiro. Já observei muito essas mudanças radicais entre pessoas influentes como artistas e queria compartilhar com vocês esse estilo que eu tô admirando bastante ultimamente.

A artes digitais absurdamente belas de Tati MoonS

Minha gente, eu descobri esse perfil do instagram por meio do twitter e eu fiquei sem fôlego com o tamanho do talento desta garota chamada Tatiana (auto-retrato na foto acima) com nome artístico de Tati MoonS. Ela é uma artista digital espanhola e dona dessas artes que estou prestes a apresentar a vocês.

As makes coloridas de Euphoria para se inspirar

E aí, meus queridos. Eu fiz justamente a publicação anterior falando sobre a série Euphoria para comentar algo que provavelmente vai marcar esta geração. Como eu falei na publicação sobre a série, além da estória em si a mesma também se destacou na parte visual tanto com a filmografia quanto os looks dos personagens, os cenários e as maquiagens. E como eu fiquei apaixonada, doida pra tentar refazer essas maquiagens e falhar, eu decidi apresentar esse trabalho incrível das principais maquiadoras e responsáveis por essas obras de arte. No caso são Doniella Davy e Kirsten Coleman, que eu já deixei o instagram pra vocês seguirem e acompanharem o trabalho delas.

Séries da Netflix: The Umbrella Academy

E aí, amiguinhos. Ontem, em plena sexta-feira, estreou a nova temporada dessa série queridíssima não só por mim, mas por vários outros seriadores. Como The Umbrella Academy é da Netflix, todos episódios da segunda temporada estavam disponíveis e eu sextei da melhor maneira não é, maratonando tudo em um dia. Sonho de princesa. É uma coisa maravilhosa, mas também pode ser um tremendo erro. Eu terminei de assistir tudo, fiquei na vontade de assistir mais e vou ter que esperar sabe-se lá quantos meses ou anos (a dramática). Percebi que ainda não tinha falado dela com vocês aqui, por isso estamos batendo esse papo.

Séries da HBO: Euphoria

Eita que eu tô feliz demais por compartilhar essa série massa com vocês. Euphoria é uma das minhas séreis favoritas. Ela tem um ingrediente mágico que a torna muito especial. Seria esta uma possível versão de Skins com adolescentes com problemas. Problemas relacionados a vícios, relacionamentos amorosos, busca pela identidade, traumas, rejeição, sexo, bullying, gravidez e aborto, orientação sexual e familiares. A série aborda principalmente o vício da Rue por drogas e como ela tenta combatê-lo. Euphoria se destaca também por causa dos seus looks com maquiagens coloridas e vestimentas impecáveis.